sábado, 20 de julho de 2013



Entendendo o Histórico do Município


Antiga Denominação de Simões Filho


O território do ex – distrito de Água Comprida atual município de Simões Filho, antes denominado Água Comprida, devido ao fato das águas da Baia de Todos os Santos penetrarem estreita e longamente na região que parecia no mapa da província da Baia, mesmo quando ainda era uma simples capitania. Antes o distrito de Água Comprida era pertencente a Cotegipe que passou a ser Água Comprida devido a importância que o trêm exercia para outras atividades econômicas e para outras localidades em que se destaca este último subdistrito. O ramal ferroviário que fora instalado surgiu 1860, com a linha Salvador – Juazeiro via Alagoinhas. Este ramal foi ampliado em 1891 o que se chamou ferrovia Sul. Aparentemente, esta transferência de importância de Cotegipe para Água Comprida se deu principalmente pelo comércio que começava a se formar as margens dos trilhos



      Pátio da Estação de Simões Filho sentido Cotegipe, em 16/01/2005


A lavoura canavieira mudou a paisagem local

Sua história se inicia com a plantação canavieira, que trouxe forte influência para o município. Com a devastação de suas matas, apareceram os Engenhos de Bois de Moenda, de Gaspar Dias Barbosa, com a igreja de Santa Catarina, como também os Engenhos de Sebastião da Ponte e Sebastião de Farias, sendo que este construiu o grande engenho de água comprida, com grandes edifícios e casa de purgar.

No local em que hoje é a sede do Município havia a usina de Engenho Novo, onde existiam as Fazendas de Tabaíba e Engenho Novo. Na mesma época, funcionavam na Região as Usinas de Aratu e Cotegipe, além dos Engenhos de Mapele pertencentes a João Gordilho.

O açúcar produzido era do tipo mascavo produto de exportação, atendendo o mercado europeu. O ponto de embarque era no Dambi, local onde se encontrava a Capela de Cotegipe. Dali seguia com destino de Portugal.

Na década de 30 e 40 Santa Luzia teve grande plantação de cana de açúcar e uma usina que transformava a referida plantação em açúcar e demais derivados da fazenda Santa Rosa hoje dos herdeiros do Dr. Antônio de Moraes e demais fazendas do subdistrito de Góes Calmon e de várias propriedades menores. Situada entre Mapele e Cotegipe na década de trinta e quarenta havia em Santa Luzia uma usina de cana de açúcar (de primeira qualidade). As terras entre as duas localidades citadas pertencentes a usina, eram todas plantadas de cana de açúcar.

Este engenho (que produzia açúcar) data do século XVI, e teve, segundo registros da época, 896 escravos até 16005. O referido produto também vinha da outra região do recôncavo banhado pela Bahia de Todos os Santos. A citada matéria prima chegava de Saveiro pelo canal cercado de mangue que liga Santa Luzia á Bahia de Aratu e esta a Baia de Todos os Santos. Os operários da Usina vinham das terras vizinhas

Aratu também teve há muitos anos, uma grande indústria de açúcar, a Usina Aratu da propriedade da empresa Magalhães Industria e Comercio S/A. Exportava os seus produtos através da via férrea da Leste brasileiro e por via marítima através das Baias de Aratu e de Todos os Santos. Com exceção da Mata de Aratu, onde está implantado o Centro Industrial de Aratu (CIA) sua terras eram cobertas de cana de açúcar. A plantação se estendia a fazenda Santo Antônio dos Vargas, de propriedade daquela indústria açucareira.

Através da produção açucareira ao longo do século XVI e XVII Simões Filho marcou a herança colonialista portuguesa, sendo palco importante no que se refere a luta pela independência do Brasil na Bahia em 1823, quando o general Labatut, rumo a Pirajá, instalou um quartel na casa do engenho com o objetivo de expulsar as tropas portuguesas na cidade de Salvador.

A emancipação do distrito de Água Comprida se deu através de esforços de um grupo de moradores que por volta de 1960 reuniam-se, lideres pelo Sr. Walter José Tolentino Álvares para tratar de problemas comunitários.

Há outro posicionamento que o município foi desmembrado de Salvador a partir de uma decisão politica fundamentada em estudos feitos desde a década de 50, que propunham a possível localização, mais viável para um Centro Industrial Baiano, como sendo aquela tanto mais próxima quanto possível de Salvador, porém fora do perímetro urbano, embora vizinha a Baía de Todos os Santos.

Limita-se ao norte com os municípios de Salvador e Lauro de Freitas, a leste com o município de Candeias. O distrito de Simões Filho conta com alguns povoados como importantes como: Góes Calmon, Pitanga, Nova Canaã, Palmares, Aratu, Mapele, Santa Luzia e Cotegipe. Os quatro últimos estão dentro da zona definida como de ocupação industrial, segundo o Plano do Centro Industrial de Aratu.


A Industrialização Trouxe o Bairro 
Ilha de São João

Bem próximo de Aratu encontra-se o Núcleo Habitacional Ilha de São João ( local que deveria chamar-se Cabo ou Promontório, devido sua formação geográfica), construído após a emancipação de Simões Filho. Em Aratu está instalada uma fábrica de postes de cimento, a Poste Nordeste.

Aratu é um mirante natural para se observar a paisagem poética da Baía de Aratu, em volta da Ilha de São João onde está o Yate Clube Aratu e bem próximo está a Base Naval do Estado, a heroica ex-base Área Naval que serviu as Nações Unidas por intermédio das Forças Aéreas Brasileira e Americana, durante a II Guerra Mundial.


Existe a possibilidade do nome Ilha de São João, tenha sido dado devido a geografia do terreno onde o condomínio foi erguido em sua totalidade cercado por mangue e nas marés mais altas quase chegava a cercar toda a porção de terra, evento que dificilmente pode ser observado hoje devido as construções e aterros irregulares construídos ao redor com o passar dos anos. O conjunto foi construído no intuito de conhecer os trabalhadores do CIA - Centro Industrial de Aratu, evento que ocorreu inicialmente, porém com a decaída das industrias do polo da Bahia Ilha de São João passou a ser habitada por pessoas de diferentes localidades de Salvador e Simões Filho.

Centro Industrial de Aratu


Em tempos antigos o local era o sítio, fazenda de propriedade ignorada, uma das formas de se chegar ao local era por via férrea através de um lugarejo chamada ponto de parada, em anexo já existia o Iate Clube de Aratu, no local eram encontrados vários animais nativos da Mata Atlântica dos quais podem ser citados Sagui de Tufos Brancos ( Conhecido como mico), jiboias e periquitos. A inauguração oficial do evento do empreendimento realizou-se em meados de 1982, contou com a presença das dançarinas do programa de chacrinha e autoridades baianas como ACM - Antônio Carlos Magalhães, porém desde o final de 1981 as unidades estavam sendo ocupadas. O sorteio dos imóveis aconteceu no antigo Colégio Teresa de Lisieux localizado na avenida ACM.





Os Moradores Contam a História do Bairro


Entrevistas 












"Dona" Gilda BorgesAntes aqui tinha poucos moradores, só tinha uma padaria e um pequeno mercadinho, que se chamava Proab que era de Mateus, hoje é onde se encontra a Igreja Universal do Reino de Deus. Era tudo muito tranquilo, muito mato, árvores pareciam uma roça, ou fazenda. Tinha muitos barzinhos e uma farmácia. Os serviços eram precários, não tinha posto de saúde, existia apenas 2 linhas que rodavam para salvador e só tinha um terminal. Existia ( como ainda existe hoje) algumas Vans que rodavam para Simões Filho. Algumas pessoas trabalhavam e estudavam lá. Já existia a Associação de Moradores. 

Aqui era uma tranquilidade, poucas drogas, marginalidade, violência. Quase todos os meus filhos cresceram aqui. Essa picuinha entre Aratu e Ilha de São João não existia. Essa rivalidade entre esses dois bairros que começou a violência aqui, brigas de gangues uso de drogas tudo de ruim começou a acontecer. Eu fui morar no bairro de Ilha de São João em 1984. Antes eu morava em Coutos bairro da periferia de Salvador. Meu esposo era motorista e ficou sabendo que tinha um apartamento para passar, ele então chegou em casa já dizendo que íamos morar aqui e logo logo nos mudamos.


                                                                                                
Sr° Teófilo Reis:
Eu morava no interior da Bahia e em 1977 anos me mudei para Salvador. Cheguei nesta capital com a intenção de trabalhar. Fui morar no bairro de São Caetano com meu irmão que aqui já estava. Foi quando despertei para procurar empregos na Região Metropolitana de Salvador. Tive a notícia de naquele local estava gerando emprego. Quando fui no conjunto de empresas do Centro Industrial de Aratu e conseguir meu emprego de Cadeireiro  Lá tinha trabalho para o que sabia fazer que é a caldeiraria e soldagem. Trabalhei lá entre 1978 – 1984. A distância entre minha casa em São Caetano e a Região Metropolitana era muito grande. Quando fiquei sabendo da existência desse Conjunto Habitacional Ilha de São João. Comprei o apartamento lá e fui morar mais perto do trabalho. Comprei o apartamento no conjunto na copa 02 no bloco 14B e em dezembro de 1983 eu fui morar lá.

Conjunto este que era uma tranquilidade, cercado por águas, mangues, cansei de comer caranguejo que pegávamos naquela maré. A quantidade de árvores eram grandes, roças, plantações me sentia no interior novamente. É um lugar muito bonito o Yate Clube dá uma beleza ao bairro e é praticamente um ponto turístico do local, que pena que o acesso não é aberto para todos os moradores.
Mais não demorou nem 2 anos que já estava aqui para a tranqüilidade desaparecer. Os apartamentos e sobrados foram sendo preenchidos por pessoas de todos os lugares e o bairro passou a ser lotado, barulhento e sem sossego. A violência, o consumo de drogas passou a ser algo natural no bairro.




                               SAIBA MAIS...

O bairro é dividido em três copas: 1,2,3.
          
Atualmente não exerce uma forte ligação com Simões Filho, mais sim com Salvador.
         
Operam linhas de transporte coletivo para Simões Filho e Salvador. Para Salvador tem as seguintes linhas: Lapa, Campo Grande, Pituba.

O bairro conta com posto de saúde, 2 escolas pública, mini mercados, mini farmácia, bares lan houses, restaurantes, comércios de estética, academias de ginástica, igrejas.

A violência é a principal problemática que o bairro enfrenta nos dias atuais. A  falta de segurança pública que enfrenta as grandes metrópoles, invadiu o contexto de Simões Filho e chegou no pequeno conjunto habitacional Ilha de São João.






REFERÊNCIAS

Antônio Apolinário da Hora. Simões Filho: História Comprida. Secretária de Cultura e Desportos, 2005.

Bahia, Secretária da Cultura e Turismo. Coordenação de Cultura. Guia Cultural da Bahia: Região Metropolitana de Salvador: A Secretária, 1998. V.6: el.

Cunha, Eduardo Vivian. Incubação de redes de economia solidária: limites e possibilidades de uma metodologia de intervenção para o desenvolvimento local – o caso – Eco – Luzia. / Eduardo Vivian da Cunha. – 2008.170 f.

Relatório Preliminar do Município de Simões Filho.Governo do Estado da Bahia; Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador.

Simões Filho. Secretária de Educação e Cultura. Conheça melhor o seu município/ Secretária de Educação e Cultura – Simões Filho, 1990. 108 p.: el.