Entendendo
o Histórico do Município
Antiga Denominação de Simões Filho
O território do ex – distrito de Água Comprida atual município de Simões
Filho, antes denominado Água Comprida, devido ao fato das águas da Baia de
Todos os Santos penetrarem estreita e longamente na região que parecia no mapa
da província da Baia, mesmo quando ainda era uma simples capitania. Antes o
distrito de Água Comprida era pertencente a Cotegipe que passou a ser Água
Comprida devido a importância que o trêm exercia para outras atividades
econômicas e para outras localidades em que se destaca este último subdistrito.
O ramal ferroviário que fora instalado surgiu 1860, com a linha Salvador –
Juazeiro via Alagoinhas. Este ramal foi ampliado em 1891 o que se chamou
ferrovia Sul. Aparentemente, esta transferência de importância de Cotegipe para
Água Comprida se deu principalmente pelo comércio que começava a se formar as
margens dos trilhos
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Pátio da Estação de Simões Filho sentido Cotegipe,
em 16/01/2005
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A lavoura canavieira mudou a paisagem local
Sua história se inicia com a plantação canavieira, que trouxe forte influência para o município. Com a devastação de suas matas, apareceram os Engenhos de Bois de Moenda, de Gaspar Dias Barbosa, com a igreja de Santa Catarina, como também os Engenhos de Sebastião da Ponte e Sebastião de Farias, sendo que este construiu o grande engenho de água comprida, com grandes edifícios e casa de purgar.
No
local em que hoje é a sede do Município havia a usina de Engenho Novo, onde
existiam as Fazendas de Tabaíba e Engenho Novo. Na mesma época, funcionavam na
Região as Usinas de Aratu e Cotegipe, além dos Engenhos de Mapele pertencentes
a João Gordilho.
O
açúcar produzido era do tipo mascavo produto de exportação, atendendo o mercado
europeu. O ponto de embarque era no Dambi, local onde se encontrava a Capela de
Cotegipe. Dali seguia com destino de Portugal.
Na
década de 30 e 40 Santa Luzia teve grande plantação de cana de
açúcar e uma usina que transformava a referida plantação em açúcar e demais
derivados da fazenda Santa Rosa hoje dos herdeiros do Dr. Antônio de Moraes e
demais fazendas do subdistrito de Góes Calmon e de várias propriedades menores.
Situada entre Mapele e Cotegipe na década de trinta e quarenta havia em
Santa Luzia uma usina
de cana de açúcar (de primeira qualidade). As terras entre as duas localidades
citadas pertencentes a usina, eram todas plantadas de cana de açúcar.
Aratu também teve há muitos
anos, uma grande indústria de açúcar, a Usina Aratu da propriedade da empresa
Magalhães Industria e Comercio S/A. Exportava os seus produtos através da via
férrea da Leste brasileiro e por via marítima através das Baias de Aratu e de
Todos os Santos. Com exceção da Mata de Aratu, onde está implantado o Centro
Industrial de Aratu (CIA) sua terras eram cobertas de cana de açúcar. A
plantação se estendia a fazenda Santo Antônio dos Vargas, de propriedade daquela
indústria açucareira.
Através
da produção açucareira ao longo do século XVI e XVII Simões Filho marcou a
herança colonialista portuguesa, sendo palco importante no que se refere a luta
pela independência do Brasil na Bahia em 1823, quando o general Labatut, rumo a
Pirajá, instalou um quartel na casa do engenho com o objetivo de expulsar as
tropas portuguesas na cidade de Salvador.
A
emancipação do distrito de Água Comprida se deu através de esforços de um grupo
de moradores que por volta de 1960 reuniam-se, lideres pelo Sr. Walter José
Tolentino Álvares para tratar de problemas comunitários.
Há
outro posicionamento que o município foi desmembrado de Salvador a partir de
uma decisão politica fundamentada em estudos feitos desde a década de 50, que
propunham a possível localização, mais viável para um Centro Industrial Baiano,
como sendo aquela tanto mais próxima quanto possível de Salvador, porém fora do
perímetro urbano, embora vizinha a Baía de Todos os Santos.
Limita-se
ao norte com os municípios de Salvador e Lauro de Freitas, a leste com o
município de Candeias. O distrito de Simões Filho conta com alguns povoados
como importantes como: Góes Calmon, Pitanga, Nova Canaã, Palmares, Aratu,
Mapele, Santa Luzia e Cotegipe. Os quatro últimos estão dentro da zona definida
como de ocupação industrial, segundo o Plano do Centro Industrial de Aratu.
A Industrialização Trouxe o Bairro
Ilha de São João
Ilha de São João
Bem
próximo de Aratu encontra-se o Núcleo Habitacional Ilha de São João ( local que
deveria chamar-se Cabo ou Promontório, devido sua formação geográfica),
construído após a emancipação de Simões Filho. Em Aratu está instalada uma
fábrica de postes de cimento, a Poste Nordeste.
Aratu
é um mirante natural para se observar a paisagem poética da Baía de Aratu, em
volta da Ilha de São João onde está o Yate Clube Aratu e bem próximo está a
Base Naval do Estado, a heroica ex-base Área Naval que serviu as Nações Unidas
por intermédio das Forças Aéreas Brasileira e Americana, durante a II Guerra
Mundial.
Existe
a possibilidade do nome Ilha de São João, tenha sido dado devido a geografia do
terreno onde o condomínio foi erguido em sua totalidade cercado por mangue e
nas marés mais altas quase chegava a cercar toda a porção de terra, evento que
dificilmente pode ser observado hoje devido as construções e aterros
irregulares construídos ao redor com o passar dos anos. O conjunto foi
construído no intuito de conhecer os trabalhadores do CIA - Centro Industrial
de Aratu, evento que ocorreu inicialmente, porém com a decaída das industrias
do polo da Bahia Ilha de São João passou a ser habitada por pessoas de
diferentes localidades de Salvador e Simões Filho.
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| Centro Industrial de Aratu |
Em
tempos antigos o local era o sítio, fazenda de propriedade ignorada, uma das
formas de se chegar ao local era por via férrea através de um lugarejo chamada
ponto de parada, em anexo já existia o Iate Clube de Aratu, no local eram
encontrados vários animais nativos da Mata Atlântica dos quais podem ser
citados Sagui de Tufos Brancos ( Conhecido como mico), jiboias e
periquitos. A inauguração oficial do evento do empreendimento realizou-se em
meados de 1982, contou com a presença das dançarinas do programa de chacrinha e
autoridades baianas como ACM - Antônio Carlos Magalhães, porém desde o final de
1981 as unidades estavam sendo ocupadas. O sorteio dos imóveis aconteceu no
antigo Colégio Teresa de Lisieux localizado na avenida ACM.
Os Moradores Contam a História do Bairro
Entrevistas
Aqui era uma tranquilidade, poucas drogas,
marginalidade, violência. Quase todos os meus filhos cresceram aqui. Essa
picuinha entre Aratu e Ilha de São João não existia. Essa rivalidade entre
esses dois bairros que começou a violência aqui, brigas de gangues uso de
drogas tudo de ruim começou a acontecer. Eu fui morar no bairro de Ilha de
São João em 1984. Antes eu morava em Coutos bairro da periferia de Salvador.
Meu esposo era motorista e ficou sabendo que tinha um apartamento para passar,
ele então chegou em casa já dizendo que íamos morar aqui e logo logo nos
mudamos.
Eu morava no interior
da Bahia e em 1977 anos me mudei para Salvador. Cheguei nesta capital com a
intenção de trabalhar. Fui morar no bairro de São Caetano com meu irmão que
aqui já estava. Foi quando despertei para procurar empregos na Região
Metropolitana de Salvador. Tive a notícia de naquele local estava gerando
emprego. Quando fui no conjunto de empresas do Centro Industrial de Aratu e
conseguir meu emprego de Cadeireiro Lá tinha trabalho para o que
sabia fazer que é a caldeiraria e soldagem. Trabalhei lá entre 1978 – 1984. A distância entre
minha casa em São Caetano
e a Região Metropolitana era muito grande. Quando fiquei sabendo da existência
desse Conjunto Habitacional Ilha de São João. Comprei o apartamento lá e fui
morar mais perto do trabalho. Comprei o apartamento no conjunto na copa 02 no
bloco 14B e em dezembro de 1983 eu fui morar lá.
Conjunto este que era uma tranquilidade, cercado por águas, mangues, cansei de comer caranguejo que pegávamos naquela maré. A quantidade de árvores eram grandes, roças, plantações me sentia no interior novamente. É um lugar muito bonito o Yate Clube dá uma beleza ao bairro e é praticamente um ponto turístico do local, que pena que o acesso não é aberto para todos os moradores.
Mais não demorou nem 2 anos que já estava aqui para a tranqüilidade desaparecer. Os apartamentos e sobrados foram sendo preenchidos por pessoas de todos os lugares e o bairro passou a ser lotado, barulhento e sem sossego. A violência, o consumo de drogas passou a ser algo natural no bairro.
SAIBA MAIS...
O bairro é dividido em três copas: 1,2,3.
Atualmente não exerce
uma forte ligação com Simões Filho, mais sim com Salvador.
Operam linhas de
transporte coletivo para Simões Filho e Salvador. Para Salvador tem as
seguintes linhas: Lapa, Campo Grande, Pituba.
O bairro conta com
posto de saúde, 2 escolas pública, mini mercados, mini farmácia, bares lan
houses, restaurantes, comércios de estética, academias de ginástica, igrejas.
A violência é a
principal problemática que o bairro enfrenta nos dias atuais. A falta de
segurança pública que enfrenta as grandes metrópoles, invadiu o contexto de
Simões Filho e chegou no pequeno conjunto habitacional Ilha de São João.
REFERÊNCIAS
Antônio Apolinário da Hora. Simões Filho: História Comprida. Secretária
de Cultura e Desportos, 2005.
Bahia, Secretária da Cultura e Turismo. Coordenação de Cultura. Guia
Cultural da Bahia: Região Metropolitana de Salvador: A Secretária, 1998. V.6:
el.
Cunha, Eduardo Vivian. Incubação de redes de economia solidária: limites
e possibilidades de uma metodologia de intervenção para o desenvolvimento local
– o caso – Eco – Luzia. / Eduardo Vivian da Cunha. – 2008.170 f .
Relatório Preliminar do Município de Simões Filho.Governo do Estado da
Bahia; Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador.
Simões Filho. Secretária de Educação e Cultura. Conheça melhor o seu
município/ Secretária de Educação e Cultura – Simões Filho, 1990. 108 p.: el.






uma ótima ideia estudar história desse jeito, parabéns, fiquei conhecendo um pouco da exportação da cana de açúcar.
ResponderExcluircorrigindo dos produtos.
ResponderExcluirDalina parabéns pelo seu trabalho, me fez resgatar os tempos que eu ia visitar meu pai em Ilha de São João!
ResponderExcluirDali, parabéns pelo seu blog...
ResponderExcluirfoi bastante enriquecedor pois não sabia nada sobre a história da ilha de São João.
É um bairro bem perto de Salvador mas que poucos conhecem.
ExcluirOs relatos das pessoas revelam a riqueza histórica do lugar. Parabéns pelo trabalho! Gostei muito do blog!
ResponderExcluirOi Dalina! Bom Trabalho Bibliográfico! É difícil encontrar informações referenciadas sobra a Ilha de são João. Morei lá na minha infância e aquele bairro é como uma caixinha cheias de boas lembranças dessa época. É sempre bom retornar pra reencontrar os amigos e rever a linda vista. Vc sabe algo sobre o plana de habitação utilizado naquele bairro? Super abraço
ResponderExcluirMuito boa a sua reportagem Dali muito rica em informações para quem não conhece o lugar e em especial para min me fez relebrar minha infancia , bons tempos vividos nesse bairro '
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